Refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato

Avaliação do refluxo e da hérnia de hiato em São Paulo

Refluxo gastroesofágico e hérnia de hiato costumam aparecer na mesma conversa.

As duas condições podem estar relacionadas, mas não são a mesma coisa. Nem toda pessoa com refluxo tem hérnia de hiato, nem toda hérnia provoca refluxo e nenhum desses diagnósticos significa, automaticamente, que uma cirurgia será necessária.

Por isso, eu não começo a avaliação escolhendo uma técnica ou falando em operação. Primeiro, precisamos compreender os sintomas, revisar os exames e os tratamentos já realizados e identificar o que ainda precisa ser esclarecido.

Em algumas situações, a cirurgia pode fazer parte do tratamento. Em outras, o caminho pode ser acompanhar, investigar melhor ou manter o tratamento clínico.

A parte mais responsável do trabalho é entender o que faz sentido para cada pessoa.

Agende sua consulta

Refluxo e hérnia de hiato são a mesma coisa?

Não.

O refluxo gastroesofágico ocorre quando parte do conteúdo do estômago retorna para o esôfago. Quando isso acontece repetidamente, podem surgir sintomas e alterações na mucosa.

A hérnia de hiato é uma alteração anatômica. Ela acontece quando a abertura do diafragma por onde passa o esôfago se alarga ou perde sustentação, permitindo que parte do estômago e, em casos mais extensos, outras estruturas se desloquem em direção ao tórax.

Uma hérnia pode prejudicar a barreira antirrefluxo, mas também existem pessoas com refluxo sem hérnia e pessoas com hérnia sem sintomas importantes de refluxo. Por isso, tamanho, tipo, sintomas, exames e impacto na rotina precisam ser avaliados em conjunto.

Quais sintomas podem aparecer?

Refluxo e hérnia de hiato podem estar relacionados a:

  • azia ou queimação;
  • regurgitação;
  • arrotos;
  • empachamento ou sensação de estômago cheio;
  • tosse, pigarro ou incômodo na garganta.

Nas hérnias maiores, também podem ocorrer dor ou dificuldade durante a alimentação, dor no tórax, palpitações, vômitos, perda de peso, sangramento gastrointestinal ou anemia.

Esses sintomas não são exclusivos do refluxo ou da hérnia. Dor no tórax, por exemplo, também pode ter origem cardíaca e não deve ser atribuída automaticamente ao estômago.

Dor intensa, piora súbita, vômitos persistentes, dificuldade importante para se alimentar ou sinais de sangramento exigem avaliação médica.

O que é considerado na consulta?

Na consulta, procuro organizar as informações antes de discutir qualquer procedimento.

São considerados os sintomas, o tempo de evolução, a relação com a alimentação, o impacto na rotina e no sono, os tratamentos já realizados, a resposta aos medicamentos, os exames disponíveis, as características da hérnia e as demais condições de saúde.

Um exame isolado não conta toda a história. Da mesma forma, um sintoma comum não confirma sozinho o diagnóstico. É o conjunto das informações que ajuda a compreender o caso.

Quais exames podem fazer parte da investigação?

Nem todo paciente precisa realizar todos os exames.

A endoscopia pode avaliar o esôfago, o estômago, a mucosa e a região do hiato. A esôfago-estômago-duodenografia, a tomografia, a pHmetria e a impedâncio-pHmetria podem ser utilizadas para esclarecer dúvidas sobre anatomia, movimentação da região e ocorrência de refluxo.

A escolha depende das informações já disponíveis e das perguntas que ainda precisam ser respondidas. Uma frase isolada no laudo da endoscopia não deve definir a necessidade de cirurgia.

E quando o “prazol” não resolve?

Continuar com queimação, regurgitação, tosse ou incômodo na garganta mesmo usando omeprazol ou medicamentos semelhantes não significa que a cirurgia seja automaticamente a próxima etapa.

O uso pode não estar adequado, o conteúdo refluído pode não ser predominantemente ácido, o organismo pode metabolizar o medicamento de maneira diferente, pode existir uma hérnia associada ou os sintomas podem ter outra causa.

Antes de discutir uma operação, é necessário revisar o diagnóstico e a resposta ao tratamento. Medicamentos não devem ser iniciados, suspensos ou modificados sem orientação médica.

Por que o refluxo pode continuar mesmo com o uso de “prazol”?

Tratamento clínico e possibilidade de cirurgia

Muitas pessoas podem ser acompanhadas e tratadas sem operação.

O tratamento clínico pode envolver mudanças de hábitos, orientações alimentares e medicamentos. Fracionar as refeições, evitar bebidas gaseificadas, não se deitar logo depois de comer, observar o que piora os sintomas e utilizar corretamente os medicamentos prescritos são medidas que podem fazer parte do cuidado.

Os medicamentos podem reduzir a acidez e auxiliar na cicatrização do esôfago, mas não modificam uma alteração anatômica relevante. Isso também não significa que toda hérnia precise ser operada.

A cirurgia pode entrar na conversa quando a correção da anatomia pode contribuir para o tratamento, como em casos selecionados de hérnias maiores, sintomas persistentes, impacto importante na alimentação ou na rotina e complicações relacionadas à hérnia.

A principal pergunta não é qual técnica será utilizada, mas se existe indicação de cirurgia naquele caso.

Quando indicada, a correção pode ser realizada por videolaparoscopia e, em situações selecionadas, por cirurgia robótica. A tecnologia é uma ferramenta e não substitui a indicação, o planejamento ou a experiência da equipe.

Entenda melhor os tipos, riscos e tratamento da hérnia de hiato

Refluxo, obesidade e cirurgia bariátrica

A obesidade pode aumentar a pressão dentro do abdome e favorecer alterações na região do hiato.

Além disso, algumas pessoas já apresentam refluxo antes da avaliação para cirurgia bariátrica, enquanto outras percebem o surgimento ou a modificação dos sintomas depois de uma cirurgia anterior.

Quando obesidade e refluxo aparecem juntos, a escolha do tratamento não deve considerar apenas o peso ou o nome da técnica. Sintomas, exames, anatomia do estômago, condições de saúde e histórico de tratamentos precisam fazer parte da decisão.

Entenda a avaliação para tratamento da obesidade e cirurgia bariátrica

Como é a preparação para a cirurgia?

A preparação envolve revisar sintomas, exames, tratamentos anteriores, condições de saúde, medicamentos em uso e orientações para o pós-operatório.

Nenhum medicamento deve ser suspenso ou modificado sem orientação da equipe responsável.

Também considero importante que o paciente compreenda por que a cirurgia foi proposta, o que será realizado e como funciona a recuperação.

Cirurgia bem indicada também precisa ser bem explicada.

Como é a recuperação?

A manipulação da transição entre o esôfago e o estômago pode provocar inchaço e dificultar temporariamente a passagem dos alimentos. Por isso, a alimentação é retomada de forma gradual, de acordo com a orientação da equipe.

Durante a recuperação, é importante comer devagar, fazer refeições menores, permanecer sentado durante a alimentação, mastigar bem quando os sólidos forem reintroduzidos, respeitar a saciedade e evitar bebidas gaseificadas.

Também pode haver dificuldade para arrotar, gases ou empachamento. O retorno às atividades deve ser gradual, e esforços físicos intensos precisam ser evitados pelo período definido pela equipe cirúrgica.

Como funciona a alimentação depois da cirurgia antirrefluxo?

Dúvidas frequentes

Uma decisão cirúrgica começa pela compreensão do caso

Saber realizar a cirurgia é fundamental. Saber quando operar e quando não operar também é.

A consulta não deve se limitar à escolha entre nomes de técnicas. Antes disso, precisamos compreender o diagnóstico, revisar o que já foi investigado e conversar sobre riscos, alternativas e expectativas.

Em algumas situações, a cirurgia faz sentido. Em outras, o caminho pode ser acompanhar, investigar ou manter o tratamento clínico.

Cirurgia quando faz sentido. Respeito o tempo todo.